Ele olhou a mariposa batendo incessantemente nas grandes clarabóias de vidro no teto, enquanto a poucos metros ao lado, grandes aberturas nas paredes levavam à liberdade do mundo externo.
O inseto insistiu por muito tempo, jogando-se com toda a força que tinha contra o vidro, seguindo sua programação interna que o guiava ao azul do céu.
Os choques ficaram menos frequentes. A mariposa parecia estar cansada e ferida. As asas batiam com cada vez menos força, até que não conseguiu mais atingir o teto. Seu vôo foi perdendo força e altura, até que, rendendo-se à morte inevitável, deixou-se cair.
Ele foi até o local onde o inseto alado jazia, as asas ainda batiam, mas não conseguia mais voar.
Olhando para as grandes aberturas nas laterais do prédio, o homem abaixou-se e delicadamente colocou a mariposa na palma da mão.
Levou-a com cuidado para não danificar ainda mais o pequeno corpo, esperou uma brisa um pouco mais branda passar e soltou a mariposa no ar. Imediatamente ela começou a cair.
Ele olhou-a, imaginando em um instante que o pior já havia acontecido e a mariposa iria cair inerte na rua mais abaixo. Porém, viu que as pequenas asas começaram a se agitar e ainda que lentamente, a mariposa afastou-se do prédio, rumo ao seu futuro.
Ele seguiu o vôo, pensando em como a cena inteira lembrava-lhe de si próprio.
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Das coisas que não se consegue controlar
Postado em: julho 19, 2010 por Marcio Carvalho em marcadores: alma, coração, corpo, sexo, sonho, vida, vinhoMinha alma se perde em sonhos cada vez que vejo a lua.
Meu coração se perde em pedaços a cada despedida.
Minha cabeça se perde em pensamentos a cada frase que se perde na noite.
Meu corpo se perde em desejos a cada sugestão que sai dos lábios dela.
Meus caminhos se perdem em curvas, em olhares, em sussurros.
Meu destino se perde no tinto vinho.
Minha voz se perde em pedidos, em gemidos.
Minha vida, minha vida se perde em todas as coisas que não consigo controlar
