Da felicidade

Postado em: dezembro 07, 2010 por Marcio Carvalho em

De mãos dadas, eles olham o céu noturno.

As estrelas iluminam os dois em uma luz pálida e levemente azulada.

Eles ficam em silêncio. O mundo fica em silêncio. O universo fica em silêncio.

E ali, naquele instante, eles são felizes.

Do que se procura

Postado em: por Marcio Carvalho em

"Você devia se deixar levar pelo que sente."

"Mas eu não posso. Eu sinto demais, quero demais. E tudo o que sinto e quero muda o tempo todo. E se eu me perder?"

"E se você se achar?"

Da verdade

Postado em: por Marcio Carvalho em

A vida é injusta.

Como é injusto o coração.

Egoísta, carente, amoral.

O coração não ouve nada além de suas próprias batidas.

Da dança

Postado em: por Marcio Carvalho em

Eles dançam no meio do salão. Os refletores os iluminam, criando uma atmosfera de ilusão no mundo. Nas sombras, os olhos de todos os convidados os observam, alguns com esperança, outros com inveja. Mas sempre com a reverência de quem assiste a algo único.

A música preenche o ar.

Os olhos dele cruzam incessantemente o olhar dela.

Ele acaricia de leve a mão dela, enquanto eles se movem na dança.

No silêncio dela, ele ouve promessas de amor eterno. Mas dos seus lábios ele ouve o afastamento das palavras.

Ela deseja ser guiada, mas o medo e as dúvidas a seguram.

Ele deseja que a dança dure para sempre. Deseja calar as palavras receosas dela com um beijo.

Ele quer ser o par dela eternamente.

O corpo dela responde a esse desejo. Os olhos dela respondem aos olhares dele.

O coração dela bate em uníssono com o coração dele.

Mas perto do último acorde, ela hesita.

Do que perfura

Postado em: por Marcio Carvalho em

O coração perfurado sangra.
O líquido rubro escorre, lenta e continuamente.
O órgão bombeia o próprio sangue para fora.
Uma dor agonizante toma o peito.
Aos poucos a dor se torna um vazio.
A seta é precisa em sua trajetória.
Sempre, sempre acerta o alvo.
Com uma ponta de ferro chamada amor.

Do que não se pode entender

Postado em: novembro 25, 2010 por Marcio Carvalho em

Ele se despe de tudo o que carrega,

Todas as culpas, todas as fugas, todos os medos.


E ali, frente a ela, nu de tudo o que é mundano, ele a ama.

E o resto, o resto é detalhe.

Porque algumas histórias foram escritas antes de seus protagonistas existirem.

Porque alguns destinos são inevitáveis.

Do que não pode acontecer.

Postado em: por Marcio Carvalho em

Eles se olham por um longo instante. Lágrimas nos olhos, corações cheios de sentimentos, os brilhos nos olhares.

O beijo que não acontece é o mais puro símbolo do que eles têm.

O mundo lá fora precisa continuar. A porta do quarto precisa ser aberta, o adeus precisa ser dado.

Mas aquele instante, aquele quase-beijo, aquele olhar vai ficar para sempre na alma dos dois.