De corpos

Postado em: junho 16, 2010 por Marcio Carvalho em

Sou só corpo quando estou com você. Minha alma se converte em músculo, pele e sensação, meus pensamentos se diluem em sangue, palpitações e desejo.

E tudo em mim é querer, é sentir, é tocar.

E ao te beijar, ao toque da sua pele na minha, eu me torno um pouco você.

Mas não nos tornamos um.

Somos tudo, somos todas as coisas, somos o mundo, o universo, a existência. Não há mais nada, porque nada mais importa.

Calor

Postado em: por Marcio Carvalho em

Às vezes sinto um calor percorrendo meu rosto, quando falo com você. Imagino como ele deve ficar vermelho, e isso só aumenta a sensação.

Às vezes fico imaginando que há um jogo entre nós, uma provocação, quase uma dança.

Às vezes espero sua resposta. Finjo que não me importo, me ocupo de outras coisas, faço meu trabalho, ouço minhas músicas. Mas quando me percebo, os olhos já estão lá, a procurar por você.

Às vezes quero dizer coisas que acho que não quer ouvir. Ou não pode, não sei, me sinto confuso.

Às vezes quero ir embora, voltar para meu mundinho estranho de sonhos e silêncio, mas a música que você trouxe pra minha vida não me deixa.

Às vezes me sinto criança, imaturo, inconsequente, insolente. Por querer tudo, por querer o tempo todo.

Às vezes sinto que te olho demais, que tento ver cada detalhe que você deixa escapar, como pra construir uma imagem sua dentro dos meus pensamentos.

Às vezes acho que devo falar tudo o que se passa aqui dentro, mesmo com o receio que tenho de deixar as palavras mais importantes serem atropeladas por sentimento bruto.

Às vezes... às vezes sinto um calor percorrendo meu rosto, quando falo com você. E todas às vezes é bom.

Pedaços

Postado em: por Marcio Carvalho em

Deixei um pedaço da minha alma na ponte, essa manhã. O brilho preguiçoso do sol invernal iluminava as águas, pintando-as de milhões de partículas brilhantes que se moviam com as ondas calmas da baía, enquanto o vento frio que entrava pela janela me fez acordar para as belezas escondidas nas coisas que vemos todos os dias.
As aves sobrevoavam os barcos de pesca às centenas, em busca de refeição fácil. Um ritual diário, mas que sempre me faz ficar curioso.

Lá embaixo, um pequeno barco com dois homens passa devagar, enquanto imagino como a mudança de perspectiva muda tudo. Estar lá embaixo, entre pilares enormes de cimento que sustentam todos os veículos que passam pela ponte todos os dias deve trazer uma forma totalmente diferente ao pensamento sobre o que o homem é capaz.

Ao longe um nevoeiro se espalha pela serra. As montanhas azuladas parecem emergir de um mar branco e silencioso.

Cada lado para onde olho é uma visão, uma sensação, uma divagação.

Deixo um pouco de minha alma ali, no movimento do mar, na dança dos pássaros, nos homens no barco, na névoa da montanha...

Milagres

Postado em: junho 06, 2010 por Marcio Carvalho em

"... and out of that contradiction, against unfathomable odds, it's you - only you - that emerged. To distill so specific a form, from all that chaos. It's like turning air into gold. A miracle. And so... I was wrong. Now dry your eyes, and let's go home."

Jon Osterman, para Laurie Juspeczyk - Watchmen

Das regras

Postado em: por Marcio Carvalho em

Eu consigo imaginar muitas coisas acontecendo, agora.

Pena mesmo que minha imaginação seja tão mais divertida que essa realidade chata.

Diálogo

Postado em: por Marcio Carvalho em

Ele olha para ela e fala, tentando descobrir o que passa por trás dos olhos.

- Ah, espero que você não esteja me achando muito estranho, com todas as histórias que contei.

- Não. Acho que penso que poucas coisas são estranhas.

- Mas vc não conta muita coisa sobre vc, né?

Ela responde, pensativa.

- Não acontece muita coisa na minha vida. Na verdade, minha vida é tão parada que eu às vezes acho que vou pirar. Ah! viu? contei alguma coisa sobre mim!

- Hummm... pira, então!

Ela sorri pra ele.

- Acho que esse não é um bom conselho.

- Não? Eu acho que é o melhor conselho.

Beleza

Postado em: por Marcio Carvalho em

O corpo quer felicidade, prazer e saciedade. Mas a alma procura a aventura de andar no limiar do abismo.